Outro dia escutei uma conversa no elevador que me fez lembrar de alguns livros sobre administração que fui obrigado a ler. Então resolvi escrever um post sobre as besteiras dos livros de administração. Mas para o post não ficar longo vou escrever em duas partes. Neste primeiro o objetivo é assoprar, fazer um carinho... para depois bater. Vou assoprar com o livro "Origin of Wealth: Evolution, Complexity, and the Radical Remaking of Economics", do Eric D. Beinhocker.
O autor fala de algo mais real e, ao contrário da maior parte dos autores, ele não tenta vender a ideia de que se você fizer um planejamento estratégico, traçar metas e trabalhar duro vai alcançar o paraíso. Muito pelo contrário. Não existe paraíso (será que precisava escrever isso???). O mercado é dinâmico (será que precisava escrever isso???[2]) e você tem que, na comparação do autor, correr e correr para continuar no mesmo lugar. O único benefício é não ser passado para trás. Ele usa estudos e dados para ilustrar o argumento e não fica naqueles conceitos de planejamento perfeito que mais parecem de livro de auto-ajuda.
Falo isso porque muitos autores (dos que li) vendem o Planejamento Estratégico como alguma coisa perfeita. Você tem que traçar um plano, com objetivos, indicadores ("porque o que não é mensurável não é administrável", não é esse o jargão?) e planos de ação. Além disso, trabalhar para executar o plano. Mas isso é pura besteira. Sempre pensei que o que tem que ser feito é manter sua agilidade, correr. Porque quando se faz um PE assume-se premissas, e por mais que elas estejam certas, o cenário planejado não irá ocorrer 100%(será que precisava escrever isso???[3]). Então mesmo que os administradores acertem o cenário e algumas premissas, a empresa terá que ter agilidade para se adaptar às premissas que saíram do cenário planejado. E quando as premissas são mal feitas nem se fala. Aí está o valor do livro, atentar para esse ponto.
Para concluir, o que me intriga nos administradores é o fato de eles irem cada vez mais na direção contrária da direção do resto das profissões. Enquanto todo mundo quer simplificar, parece que eles na ânsia de serem reconhecidos como ciência, tentam complicar as coisas simples e elaborar teorias complexas sobre elas. Se o mestre Giannetti já falava que "pensar é a arte de tornar as coisas mais simples do que são", então essa parece ser a prova de que esses administradores não andam pensando muito.
E administradores, não me levem tanto a mal, se você não tenta escrever um best-seller, "tese" ou artigo sobre um mundo perfeito, ou tenta me vender que sua empresa funciona como planejado, você não se enquadra na crítica acima. Calma.
Gosta de auto-ajuda administrativa? A mão na sua cara!
ps.: Queria pedir aos ex pupilos do Falconi para contribuir. Como vocês já saíram de lá faz tempo podem me ajudar com exemplos de livro. O ex chefe é cheio deles.






