sexta-feira, 11 de junho de 2010

A "Fraude Intelectual" de Taleb

Como ninguém mais posta vou continuar minhas bobagens.

Recentemente terminei de ler os 3 últimos capítulos de um livro que estava lendo faziam uns 5 meses. O livro não é grande, eu que fiquei desinteressado mesmo. E esses últimos 3 capítulos foram diluídos em 3 suaves meses. Mas o que me deixou irritado no livro foi o que o próprio autor chamou de fraude intelectual. Ele finge acreditar numa teoria criada por ele (segundo ele única e original) e critica meio mundo por não ver o “óbvio”.Mas na verdade ele tem consciência de que ele ta falando bobagem, esta pagando de agitador marxista. Vou explicar melhor.

O livro em questão tem o título muito sugestivo “A Lógica Do Cisne Negro: o impacto do altamente improvável”. O autor, Nassim Nicholas Taleb, é um libanês que mora em Nova Iorque, que se denomina um empirista cético e trabalhava num banco de investimentos. Ele começou a ver que eventos não previsíveis tinham altos impactos no mercado (que grande visão, não?), e que portanto os cálculos de risco baseados em curvas de distribuição normal não serviriam para nada. Esses eventos estariam fora da curva e então deixados de lado quando os riscos eram mensurados. Mas segundo ele, são essas eventos inesperados que são mais importantes no mercado, pois basta um para que todo o cenário mude. Basta um para fazer um milionário ficar pobre e vice-versa. Conclusão: os bancos se enganam ao acreditar nos cálculos de risco que fazem, e na verdade isso pouco importa, previsões não servem para nada, pois quase nunca se concretizam.

Claro que eu resumi demais, mas a base é essa. Até a idéia de que existem pontos fora da curva acho que ninguém discorda, e é obvio. E que esses eventos tem alto impacto também, mas daí descartar todas as ferramentas, as teorias e os autores que vieram antes dele é demais. E segundo ele ninguém nunca mostrou, ou convenceu ele, de alguma falha no seu raciocínio. Pois na minha humilde condição cidadão do terceiro mundo, e que não li 4 mil livros nem discutiu com 10 mil pessoas como ele fez, vou tentar.

Para mim ele está se auto-enganando, usando as palavra do Gianetti. Seguinte: ele sabe muito bem, como todos nós, que as teorias abstraem alguns pontos, pois não é possível modelar a realidade. Ele também sabe que isso não descarta todas as conclusões vindas de teorias. Mas de algum modo as crenças nessas teorias é que fazem os mercados funcionarem. Então por mais que existam pontos fora da linha, eventos inexplicáveis, as teorias funcionam para aquilo que se propõe. As crenças é que são importantes. De que valeria um pedaço de papel com o número 10? Nada. Mas se ele vier na cor vermelha, com uma onça de um lado, um cara sem olho de outro e um carimbo do Banco Central do Brasil, a gente vai crer que esse papel vale 10 unidade de troca. Se deixássemos de crer que ele tem valor, ele não valeria mais nada. Do mesmo modo os cálculos de risco, eles servem como mecanismo de comparação e troca no mercado financeiro, e funcionam porque o mercado crê que aquilo da certo. Mas o que o autor propõe é que não haja cálculo, que não se faça previsão, que não se calcule o risco, etc. Para mim é como propor, “vamos voltar ao escambo, pois esses pedaços de papel não valem nada”.

Alguns detalhes:

Taleb é um mega investidor, tem um fundo de investimentos, quem acredita que ele não faça nenhum cálculo de risco? Que não faça maximização de retorno das carteiras?

Vive criticando executivos de terno e gravata, monótonos, que falam de coisas chatas, etc, mas qual o meio que ele vive?

Por essas e outras, Taleb, a mão na sua cara! Vai enganar outro.

E você? Concorda com ele? A mão na sua cara!

4 comentários:

Dentão disse...

Pois é Gari, esses caras são inteligentes, ganham grana investindo, e mesmo assim gostam de lançar livros picaretas. Não sei a fórmula que ele usa para investir, mas pelo seu post fica claro a tática utilizada para ganhar dinheiro com o livro: A partir de uma idéia razoável, leva-la para um extremo até que se torne polêmica, e assim, conseguir divulgação e status com um desdobramento equivocado de uma teoria pré-existente.

O cara é inteligente...

Boi disse...

Mto bom filho. Esses post's relacionado a "tudo aquilo que vc jamais perderia seu tempo lendo em outro lugar" que me fazem abrir o blog todo dia.

Mas concordo com o dentão e com vc tb. O cara sabe que tá errado, mas usa da polêmica pra ganhar visibilidade. Mané.

Modes disse...

Nunca na história da economia (aprendi essa com o lula) vai existir um modelo que explique 100% dos eventos. A complexidade da realidade vai muito além de qualquer modelo teórico. Mas falar que é melhor viver sem base teórica nenhuma, como na idade das pedras (de onde o puyol veio), do que ter como base um modelo que explique 80% dos fatos passados é uma hipocrisia. Até porque isso é o que o cérebro humano faz, toma como base fatos passados para tentar antecipar alguns outros fatos futuros (salvo exceções, como nas vezes que eu disse que nao beberia nunca mais).

É lógico que o imprevisível tem grandes chances de ser um evento "perigoso", mas sempre haverá o imprevisto, né? (tá bom, sei que a irmã cristina, que fala a matéria da prova de estatística 1 e traz a pessoa amada em 15 dias, discorda disso...).

E só pra esclarecer... NÃO existem eventos fora da curva normal, a integral dela é igual a 1 (100%). A normal é que nem coração de mãe, cabem todos os eventos nela. O Talebão garoto polêmico deve tá falando do erro tipo 1, ou seja, o famigerado nível de significância (alfa). É o erro que aceitamos cometer em todo o teste estatístico, representado pela região obscura da normal onde estão os fatos com pouquíssima (desprezível) chance de acontecer (tipo o josué fazer algo que presta na copa).... nessa região mora o "imprevisto" do Taleb.

Gari disse...

Talvez tenha me expressado mal. Mas o Taleb não é tão ingênuo assim. Ele sabe que a estatística tem seu valor, mas em termos explicativos, de fatos passados. O que ele coloca em questão é a utilidade em termos de previsão, extrapolar os dados.

Nesse ponto de certa maneira concordo com ele. Previsões de séries em que as médias e variâncias são constantes não precisam de um ARIMA para serem feitas. E assim elas não seriam tão "explicativas" assim.

O ponto de cretinice está no fato de achar que são descartáveis por não representarem os riscos REAIS. Elas não precisam ser reais, apenas consensuais para que se estabeleçam os parâmetros de comparação.