Nada como um feriado, um tempo ocioso, e o nervosismo para começar a escrever um post. Recomeçar o blog de novo.
Nas últimas semanas comecei a prestar mais atenção em algumas notícias sobre regulação bancária. Principalmente depois da compra do Banco Schahin e do Morada pelo nosso minerim do marketing esportivo e dos aposentados, o BMG. A compra em si não me preocupou muito. Mas mesmo sem me preocupar, fico curioso para saber os "truques contábeis" que eles vão arrumar manter o PR acima do PRE (ver o site do BC). O Schahin têm o Índice de Basiléia abaixo do exigido (11%), o Morada está quase lá (com 11,02%) e o próprio BMG vai ter que alterar suas operações por conta da Circular 3.515 (ver Circular), que vai exigir mais capital para cobrir os consignados. Enfim, isso já não é problema meu, espero que o Ricardão esteja sabendo o que faz.
O que me preocupa mesmo é a "consolidação do sistema bancário" que vinha sendo falada out of the record e parece estar acontecendo. No final do ano passado escutei de um profissional da área de regulação do BC "Banco tem que ser Banco, tem que ser grande. Esse negócio de empresário e família criar banquinho tem que acabar!". Depois ouvi dizer (isso já não confirmo a veracidade) que no pós-Panamericano alguns funcionários da autarquia passaram a defender a ideia de deixar alguns bancos menores quebrarem. Primeiro porque com o Panamericano algumas pessoas questionaram o poder de supervisão do BC, então deixar quebrar seria um "Está vendo? Não passo a mão na cabeça de ninguém". Segundo porque esses bancos estavam dando mais trabalho para eles, e como sabemos, muitos funcionários públicos não gostam dessa palavra. A partir daí a consolidação parece estar criando forma. Por isso, talvez, quem sabe, as medidas atuais são torno justamente das atividades de bancos médios e pequenos.
Meu ponto não é a defesa das instituições menores, que cabe ao grupo de interesse delas, a ABBC. Não sou protecionista, deixe que o mercado selecione. Mas a falta de clareza quanto a atuação do BC é que me incomoda. Parece que a turma da Unicamp (ver o artigo) vêm ganhando espaço não só na Fazendo, no BNDES e no CADE, mas também no BC. A tese do caro Jair Bolsonaro, "só é respeitado quem tem o poder de intimidar", parece estar sendo seguida à risca.
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