segunda-feira, 19 de julho de 2010

A direita não está morta

Há algum tempo estou intrigado porque sempre os candidatos a algum cargo político vêm com propostas de esquerda, ou melhor, de comunistas de buteco. A maior parte é do tipo redução da jornada de trabalho, salário mínimo de R$ 1 mil, bolsa família de R$ 500, contra a exploração do proletariado e por ai vai. São propostas sem argumentos e demagogas, sem um estudo para ver sua real viabilidade.

O que me preocupa, no estilo Luther King, não são essas propostas, mas a falta de propostas de direita. Não estou querendo propostas de direita bem fundamentadas, reais, etc, mas sim no mesmo estilo das comunistas de buteco, bem sensacionalistas. Explico. Só assim teria um meio termo "saudável", um debate de verdade, e não em debate entre esquerda e centro esquerda, que no final acaba virando essa zona.

"Mas meus problemas se acabaram". Encontrei, por acaso, um deputado federal do Rio de Janeiro (que ironia, não?) que representa bem essa direita que estou falando. Contra comissão da verdade para apurar os "crimes" da ditadura, contra o proletariado, contra os gays, contra quase tudo que esteja fora da área militar. O nome do sujeito é Jair Bolsonaro e é filiado ao PP. Abaixo segue um video dele.


E um trecho sobre "gays nas forças armadas":
"Respeitamos a opção sexual desta minoria, mas não podemos tolerar quando estes querem que os aceitemos, no seio de nossa família, ou em algumas profissões, como se isto fosse um padrão de vida para servir de exemplo e orgulho para todos."

De novo, não acredito que todas as propostas dele sejam válidas ou sensatas, mas sim que pessoas como ele têm um papel fundamental no equilíbrio do nosso sistema político. Principalmente se levarmos em conta a quantidade de comunistas de buteco "nos representando".

Acha que pessoas como ele não são importantes? Concorda com um sistema onde só as propostas de esquerda têm valor? A mão na sua cara!

9 comentários:

Modes disse...

hmmm, tem alguém aqui que quer é polêmica. Se o Gari fosse político ele seria o extremo oposto do comunista de boteco. hahah. e se assim for, vc tem meu voto, menino gari. A direita radical é tão legal quanto os comunistas.

Outra que não tem tantas propostas de direita como o colega Bolsonaro, mas o mesmo discurso nervoso e sem papas na língua é a dep. Cidinha Campos do PDT-RJ:
http://www.youtube.com/watch?v=q21rM03_R18

Dentão disse...

Gari, o problema é que até a direita brasileira tem um viés "comunista de buteco". Lendo reportagens e outros vídeos do Bolsonaro vi que ele realmente é um conservardor, defende a pena de morte, tortura em alguns casos, fim da maioriade penal, é contra indios, homossexuais e etc. Porém na época do governo FHC ele deu uma declaração dizendo o o FHC tinha que ser fuzilado, pois este privatizou a Vale, as empresas de telecomunicação, etc, entregando assim patrimônio brasileiro nas mãos de investidores estrangeiros. Essa foi uma típica declaração de Hugo Chavez.

Concordo que a presença de parlamentares com opiniões mais conservadores é importante para o equilíbrio político. Mas ainda é uma pena que não se tenha uma direita liberal (economicamente falando) estabelecida no Brasil.

Bela disse...

Eu só não entendo uma coisa..

A midia sempre divulga: " Indice de desemprego menor acalma os mercados (mercado financeiro) " Pacote de ajuda aos bancos acalma os mercados"
" Menor indice de inadimplencia tranquiliza os mercados "
" Aumento da atividade industrial dá um folego a mais para a bovespa"

Qdo as grandes empresas anunciam "downzing", os mercados tb ficam felizes..

etc etc etc


Os mercados tem muito "poder" (vide sua influencia sobre as decisões do governo), mas por que os "mercados" não conseguem eleger alguns deputados?

Tô perguntando sem pensar mesmo..


Abraço

Modes disse...

Bela, suas conexões são mto foda. (Menos a do vanderlei com o fábio, viado!) Poxa, pensei em um milhão de coisas ao mesmo tempo... criar um indicador por deputado baseado no impacto de suas medidas no mercado....

Pergunte mais sem pensar.

parênteses: Dentão é neoclássico filho da lízia.

parênteses2: bela, downsizing gera eficiência administrativa, é um processo que costuma enxugar a burocracia corporativa, ganho de eficiência!

Anônimo disse...

O negócio é o Caminho do Meio, o equilíbrio. O mercado sozinho tem suas falhas, então o governo precisa intervir. Mas o governo também tem suas falhas.

"O beberrão bebe e se aturde; o covarde não bebe e treme de frio; o homem sábio, livre e corajoso, bebe e glorifica o Deus Altíssimo."

Bela: os mercados não elegem deputados pq a lei proibe a venda de votos.

Anônimo disse...

(Butthead)

Gari disse...

Que isso gente, acho que o Bela esqueceu de uma coisa. Ele estava pensando em como os mercados são influenciados pela política, mas a relação inversa não é tão verdadeira. O mercado não tem muita influência na política. Só sob duas hipotesis:

1) No financiamento de campanhas em troca de favorecimento. Ex: bancada ruralista tem apoio da JBS.

2) O mercado está péssimo (crise de 2008) ai sempre tem espaço para comunistas de buteco virem falar que a ordem mundial está se invertendo, que o Brasil isso e aquilo... Pronto, o mercado influenciando a eleição de um comuna de buteco.

Anônimo disse...

E viva o comunismo de buteco. Viva! Viva!hahahahah (só para causar polemica e comentar nesse lindo post!!!)

Anônimo disse...

Meus caros,
Passei por aqui vindo do blog do Alexandre Schwartsman. Gostei muito. Parabéns. Continuem a estudar (se possível, no mestrado, em escolas decentes).
Não resisti em deixar um pequeno comentário sobre os "mercados" e a relação esquerda x direita.
Existe um pequeno (ou muito grande) equívoco conceitual aqui (e isto não é crítica, é muito normal).
O mercado não é um agente que pensa e age. O mercado é uma metáfora sobre o resultado da interrelação descentralizada de milhões de pessoas. E deve ser entendido assim (processo de interrelação e coordenação de grande grupo de pessoas heterogêneas). Assim, como ele não é um agente, não tem o mínimo sentido pensá-lo como um ente que age defendendo os próprios interesses. Isto simplesmente não é verdade (e reconheço que nossa imprensa, bastante medíocre, ajuda a criar esta confusão). E como qualquer mecanismo de coordenação, este pode falhar, gerar resultados muito ineficientes, etc.
Vamos dar um exemplo muito simples. Vamos pensar em um cinema que sofre um incêndio. O comportamento individual das pessoas pode piorar muito a tragédia. Mas devemos entender isto não como a irracionalidade de um ente específico (o cinema) mas como uma baita falha de coordenação.
O mesmo pode ser dito em relação ao trânsito. Nosso trânsito é boçal (número absurdo de mrtes e acidentes). Mas não cabe ficarmos perguntando, Já que morre tanta gente no trânsito, por que ele (o trânsito) não busca se modificar, melhorando seu caráter? A pergunta não tem sentido. De novo, a pergunta correta é sobre a coordenação falha que existe.
Por fim. Vamos tomar cuidado com esquerda e direita. As duas são a mesma coisa. A diferença básica está entre os liberais (que acreditam que os homens têm direitos inalienáveis e são capazes de se coordenarem de forma voluntária) e os estatistas (que julgam que os direitos são transitórios, dados pelo estado que deve coordenar as pessoas - mesmo contra a vontade destas). Só isto. Os exemplos dados são muito ruins. Se você for um homossexual em Cuba, na Coréia do Norte ou qualquer país copmunista que você queira, você está perdido. Se você quer discurso bélico ultranacionalista, você também têm que ir para estes países e por aí vai. A diferença básica é outra, se você acredita e respeita os direitos fundamentais e invioláveis do ser humano ou não. É só isto.
Saudações.